segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

ENQUETE 02/2011

RESULTADO DA ENQUETE E QUALIDADE DA EDUCAÇÃO PÚBLICA BRASILEIRA

Agradeço a todos que participaram desta enquete do blog. Ao todo tivemos a participação de 22 pessoas que responderam a pergunta. “Como é a qualidade do ensino público brasileiro?”
Confira abaixo o resultado da enquete.
Tivemos nessa enquete um resultado bem equilibrado 36% dos participantes acham que a educação pública brasileira tem uma qualidade regular e 31% ruim. 9% a consideram ótima e 22% boa. O mais positivo foi que ninguém apontou a educação pública como péssima, sem condições, isso quer dizer que ainda tem jeito de melhorar.
          Segue um texto que trata um pouco sobre a qualidade da educação pública escrito pelo professor Paiva encontrado no site http://www.informepb.com.br/

POR UMA EDUCAÇÃO PÚBLICA DE QUALIDADE

 23 de Fevereiro de 2011 12:15 | Escrito por Professor Paiva
O verbo educar deriva do termo latino “educere” que significa literalmente “ajudar a levantar”. Levantar pode ser entendido aqui como mudança ascendente no desenvolvimento das capacidades do indivíduo conduzindo-o, inexoravelmente, à inclusão e conseqüentemente à  ascensão social, à cidadania plena.
Como a educação é sem sombra de dúvidas o principal caminho para diminuir as nossas desigualdades sociais, precisamos transformá-la em um direito de todos os  brasileiros e deve como tal ser assegurada não só pelo governo, mas pelo conjunto da sociedade brasileira.

Na duas última décadas, notadamente, após o advento do FUNDEF, tem  sido muito festejado o patamar de quase 100% dos alunos na escola na faixa dos 7 aos 14 anos. Essa conquista deve ser comemorada, mas será o bastante?

Estamos vivenciando a implementação do FUNDEB, que visa ampliar a atenção governamental para além do ensino fundamental, incluindo nesse espectro as crianças da pré-escola e os adolescentes do ensino médio. A idéia é boa e já temos a referência do FUNDEF para indicar que poderemos avançar, bastando apenas garantir a boa aplicação dos recursos adicionais.

Os meios de comunicação têm evidenciado com riqueza de detalhes o fracasso do nosso sistema educacional  através da divulgação dos resultados do SAEB (Sistema de Avaliação da Educação Básica), do ENEM (Exame nacional do Ensino Médio) e do recente IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), dentre outros modelos de avaliação.

O INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) tornou públicas recentemente estatísticas nacionais que demonstram que 33 milhões de alunos considerados alfabetizados são completamente analfabetos e que 59% dos que estão cursando a 4a. série das escolas públicas não são capazes de ler e nem escrever adequadamente.

Há pouco tempo atrás, pelos dados divulgados pelo IDEB, a nossa capital (?) ocupava o incômodo penúltimo lugar em qualidade de educação dentre as capitais brasileiras, estando à frente apenas de Salvador que amarga a lanterninha do campeonato da qualidade na educação das capitais brasileiras. Para que se possa comparar, Teresina que é a capital do estado mais pobre do Nordeste, ocupava a posição 1212, enquanto João Pessoa estava na colocação 4004 em um universo de aproximadamente 4400 cidades avaliadas.

Certamente, depois desses dados, concluiremos que o bastante ainda não  foi feito. O discurso oficial é contraposto pelos resultados das avaliações oficiais. Precisamos rediscutir os nossos conceitos e metas para educação em um país com milhões de analfabetos que serão excluídos de qualquer perspectiva de futuro.

Precisamos olhar essa questão pela ótica da qualidade que se contrapõe ao mero critério quantitativo pelo qual se tem tratado o tema. O grande problema  está na subjetividade associada à qualidade que permite visões diferenciadas dependendo do referencial do observador.

Para exemplificar, vejamos a questão da introdução de computadores nas escolas: a mídia oficial vangloria-se dos laboratórios de informática, pondo, oportunisticamente, as crianças diante dos equipamentos e das câmeras de TV para vender uma idéia de efetivo oferecimento de oportunidades para concretizar a inclusão digital.

Com uma observação mais detalhada,  facilmente concluímos que não basta colocar computadores na escola e fazer alarde. Adquirir computadores é fácil, mas transformá-los efetivamente em ferramentas eficientes de ensino-aprendizagem é muito mais complexo. O que temos, na verdade, são laboratórios de informática  que não são utilizados pelos alunos por falta de equipamentos, pessoal treinado e manutenção.

Outro exemplo  é o caso de escolas que são construídas para servirem de referencial, de modelo e logo nos primeiros dias de funcionamento, são detectados problemas devido  aos vícios construtivos que originam infiltrações e rachaduras no piso. Adicionalmente, também é comum surgirem várias reclamações quanto à sujeira, laboratório de informática fechado, falta de professores, falta de merenda, dentre outros.

A solução para esse problema estaria na formulação de uma política mais ampla que possibilitasse o planejamento pedagógico, o treinamento de pessoal docente e administrativo, a aquisição de softwares educativos adequados às necessidades de aprendizagem, o acesso permanente à Internet, um esquema de manutenção preventiva/corretiva dos equipamentos e uma previsão das necessidades de atualização tecnológica dos componentes do sistema.

Necessitamos evitar que, por um erro de avaliação do que é uma boa escola, tenhamos toda uma geração de crianças perdidas, sendo condenadas prematuramente a não terem o direito a um futuro digno e cidadão.

A solução para esta questão está no oferecimento de uma Educação Pública de qualidade que necessariamente  passa  por alguns pilares básicos:
 -  valorização dos profissionais da educação com fortes investimentos na remuneração e na qualificação docente;
-  ensino de qualidade;
-  gestão democrática da escola;
-  estabelecimento de uma forte interação com a comunidade na qual a escola está inserida;
-  tratar a educação como o principal caminho para a ascensão social;
-  implantação de uma cultura de qualidade e avaliação permanente.

Com base nesses preceitos, é imperioso que possamos construir coletivamente um projeto ético, político e pedagógico de ensino que esteja efetivamente comprometido com as reais necessidades da nossa população.

As nossas crianças e jovens precisam ter o seu futuro garantido no presente com a segurança da oferta de uma educação pública de qualidade. Acredito que podemos materializar esse sonho desde que tenhamos a competência técnica, a humildade e a capacidade política de edificar esse projeto de um amanhã promissor para as nossas crianças.
“... amanhã será um lindo dia ...” – Guilherme Arantes
Contatos: Professor Paiva
paiva.severino@gmail.com 
www.twitter.com/professorpaiva
acesso em 27/02/2011

MAIS SOBRE O ASSUNTO:

Um comentário:

Só Brincos disse...

Adorei o blog,maravilhoso e já estamos seguindo,parabéns.
Rogerio Rinaldi
Designer de Jóias
http://sbrincos.blogspot.com
bjs.