domingo, 27 de março de 2011

HORA DE... ERA UMA VEZ... A caixa de Pandora...

A CAIXA DE PANDORA




A caixa de Pandora
A história que vamos contar passa-se no Olimpo, morada dos deuses, em uma época em que só existiam coisas boas. O céu estava sempre azul, os rios sempre limpos e claros, com peixinhos multicoloridos nadando alegremente. Das árvores frondosas pendiam cachos de frutas doces e deliciosas e as flores, sempre viçosas, enfeitavam o gramado de um verde-turquesa claro. As pessoas viviam felizes e desconheciam doenças e as tristezas próprias dos seres humanos, como inveja, preguiça, medo, intolerância dentre tantas outras.
No Olimpo, quem reinava era Zeus, rei dos imortais, “todo-poderoso”, que tinha completo domínio não só sobre os animais e as plantas, mas também sobre todas as pessoas que habitavam a Terra. Até que nasceu Prometeu , que de todos os imortais era o mais esperto. Era defensor da humanidade e ensinou aos seres humanos, pobres mortais, o dom do pensamento, muitos ofícios e habilidades, dentre elas o estudo das estrelas e o seu uso na navegação.
Um belo dia Prometeu roubou um pouco do fogo do Sol e levou-o para a terra, e depois ensinou a humanidade a usá-lo para se aquecer e cozinhar. Quando Zeus olhou para a terra e viu o brilho das fogueiras, ficou muito abalado, temendo que, tendo o domínio do fogo, Prometeu viesse também a conquistar o Olimpo. Resolveu dominá-lo antes que fosse tarde demais.
Como a melhor forma de dominar um homem é através da mulher, Zeus pediu ajuda para outros deuses, para criarem a mulher perfeita. A primeira chamada foi Afrodite, a deusa da beleza, que contribuiu moldando um rosto delicado enfeitando com olhos infinitamente azuis, cabelos negros e sedosos, e um corpo perfeito recoberto com pele macia. Apolo deu-lhe voz de mel, bonita e suave. Hermes, mensageiro dos deuses, tratou de ensinar-lhe como usar a bonita voz para convencer as pessoas. Por último, Eros, deus do amor, ensinou-lhe técnicas de conquista às quais seria impossível resistir. Seu nome: Pandora. Aí estava a mais perfeita das mulheres que o Olimpo tinha visto.
No dia em que Pandora saiu para procurar Prometeu, Zeus entregou-lhe uma caixa construída de um material vermelho, brilhante e ao mesmo tempo macio. Era adornada com rosetas de ouro e pedras preciosas, mas o principal era que essa caixa, misteriosamente, exercia um encantamento que tornava quase impossível desviar os olhos dela. E, com ar serio, deu a Pandora as seguintes instruções:
            - Sua tarefa é levar esta caixa a Prometeu. Para cumpri-la, não meça esforços. Você foi criada para isso! Somente ele deverá abri-la. Mesmo que isso demore muito, nunca deixe outra pessoa se aproximar da caixa. Somente Prometeu poderá lidar com seu conteúdo.
E lá se foi a insinuante Pandora com sua caixa, espalhando beleza e perfume por onde passava.
Prometeu ficou tão impressionado com a beleza de Pandora e com sua conversa interessante que nem percebeu a existência da caixa. Tampouco passou por sua cabeça a idéia de se encontrarem novamente ou pedi-la em casamento, conforme esperava Zeus.
O tempo foi passando e Prometeu, a julgar pelo seu comportamento e suas falas, havia se esquecido de Pandora. Porém, o mesmo não aconteceu com Epimeteu, seu irmão. Este depois que colocou os olhos em Pandora, nunca mais pôde tirá-la de sua cabeça. Sua beleza insinuante era presença constante em seus sonhos e a misteriosa caixa aguçava a sua curiosidade a ponto de dar qualquer coisa para poder simplesmente tocá-la.
Como Pandora não conseguia conquistar Prometeu, achou que poderia se aproveitar da paixão que Epimeteu tinha por ela e com ele se casar. Dessa forma, teria mais chances de se aproximar do irmão e entregar-lhe a caixa, dando por cumprida a sua missão.
Para colocar seu plano em ação, bastaram alguns olhares e Epimeteu julgou-se o mais feliz dos homens: além, de ter a bela mulher que tanto desejara, teria a chance de descobrir o conteúdo da caixa que ela cuidadosamente levava.
Após a grande festa de casamento, Epimeteu pediu que Pandora lhe mostrasse a caixa e, nesse momento, ela revelou seu segredo:
            - Você não pode abri-la, ela pertence à outra pessoa. Vou guardá-la em um quarto seguro do nosso palácio até que chegue o momento de entregá-la ao seu verdadeiro dono, que a abrirá e então todos saberemos o que ela contém.
Isso não seria fácil para o curioso Epimeteu. Dia após dia ele parava na porta do quarto onde se encontrava a caixa e lá ficava admirando-a e imaginando o que ela conteria.
Após alguns meses, a ousadia fez com que Epimeteu entrasse no quarto para bem de pertinho admirar os contornos da caixa e seus delicados desenhos, e ficar sonhando com o dia que seu misterioso dono aparecesse e revelasse o seu conteúdo.
“Mas que mal haveria se eu a tocasse? Eu não posso abri-la, mas tocá-la, certamente, eu posso” pensou.
E seu próximo passo, foi deleitar-se acariciando o tecido suave que revestia o objeto.
Sem que Pandora percebesse qualquer coisa, o quarto que guardava sua caixa passou a ser o aposento preferido do marido. Lá, ele ficava horas acariciando e conversando baixinho com a caixa. Nos momentos de maior curiosidade ele arriscava abrir um pouquinho, outras vezes a sacudia, tentando escutar seus barulhos, sentir um cheiro, descobrir pelo menos uma pista.
Certo dia, ao fazer suas manobras costumeiras de revirar e abrir parte da caixa, uma fumaça preta começou a sair dela. Isso fez com que a curiosidade vencesse Epimeteu que, não resistindo mais, finalmente a abriu.
Um ruído ensurdecedor se fez ouvir por todo o palácio, e fez com que as pessoas começassem a chorar de dor. A fumaça que saía da caixa grudava no teto e, lá chegando, transformava-se em monstros alados e fétidos, que saíam voando pelas janelas.
Esses pássaros invadiram todo o Olimpo, queimando as árvores e os gramados, fazendo as flores murcharem, calando e matando os passarinhos. As pessoas começaram a adoecer e envelhecer.  Com raiva umas das outras, passaram a brigar e a se matar entre si.
            - O que foi que eu fiz! Chorava Epimeteu sentindo o seu corpo sujo e dolorido. Suas mãos rachadas e ensangüentadas não conseguiam achar a tampa da caixa para fechá-la e fazer parar de sair a fumaça que estava empesteando tudo e trazendo todo tipo de desgraça, antes desconhecida no Olimpo.
            - Mais prudente seria que eu me matasse, gritou, não sei mais o que fazer.
Após ter devassado campos e pessoas a fumaça começou a diminuir. No meio das ruínas do Palácio, sobre a lama espessa e gomosa, restava o pobre e arrependido Epimeteu. Finalmente tudo acabou. Quando Epimeteu pôde controlar seus soluços desesperados ouviu uma batida fraquinha dentro da caixa.
            - Não, murmurou ele, desta vez não me deixarei levar pela curiosidade. Não quero nem saber o que ocorre dentro desta caixa infeliz.
            - Toc, toc, toc, por favor, deixe-me sair!
            - Que vozinha é essa? Que haverá ainda dentro dessa caixa?
            - Toc, toc, toc, por favor, imploro! Deixe-me sair. Não poderei fazer mal maior do que aquele que já foi causado!
            - É, a voz tem razão, disse Epimeteu, o que poderá acontecer de pior? E assim pensando, com as mãos trêmulas e ensangüentadas abriu a caixa, tampando os olhos para não ver novamente a terrível fumaça.
Mas para sua surpresa, em lugar da fumaça malcheirosa ele viu um clarão intenso, de um delicado e suave tom verde. Aos poucos, no interior da fumaça esverdeada começou a se formar uma figura brilhante. Era uma mulher de expressão bondosa, vestida de esvoaçantes véus verdes e trazendo uma cesta nas mãos. Nela se encontravam minúsculos pacotinhos, também verdes, cada um deles brilhando com luz própria.
            - Quem é você? Perguntou Epimeteu com a voz ainda trêmula.
            - Eu sou a Esperança!
            - Esperança? O que é isso?
            - Sou aquela que surge quando tudo parece desabar à sua volta, quando parece que o mundo vai terminar. Sou aquela com quem você sempre pode contar. Vocês não me conheciam, tinham tudo, mas não tinham a Esperança. A Caixa de Pandora trouxe a desgraça e a doença, mas junto com tudo isso acabou trazendo a esperança. Eu sempre existirei e aparecerei para recomeçar e acreditar que tudo vai e pode melhorar!
Dizendo isso, ofereceu sua cesta brilhante à Epimeteu e disse:
            - Vá. Distribua a esperança para seu povo. Estes homens conheceram os tormentos do mal. É hora de se alimentarem e se tornarem fortes para perseguirem novamente a felicidade!
Epimeteu se pôs de pé e seguiu, cheio de esperança, para cumprir as ordens da senhorita de verde.
E, hoje vocês também irão receber um pacotinho verde, para que sempre transmitam a esperança da alegria e felicidade.

Fim




Contação de história na Escola Municipal Eny Caldeira em 27/03/2011.
Contadora: Professora Patricia Alves.

3 comentários:

Ana Paula Ruggini Zarpelon disse...

Adoro mitologia!! Muito bacana esta história, já salvei e vou contar para minha turma! Mas claro que ainda me falta o seu dom de contar histórias! Não sei é vergonha, mas não consigo contar uma história se não for lendo!!

Beijos!

Iolanda disse...

Pati
Obrigada pelo comentário generosos no blog. Ã propósito daquilo que vc disse lá, preciso contar-lhe: coloquei em prática a sua sugestão da latinha da sorte. Nem preciso dizer que as cças adoraram. Também inventei de organizar uma caixinha de correspondência e os orientei na elaboração dos bilhetes. Ficaram muito contentes e eu me dei conta de quem é amigo íntimo de quem na sala. Agora, estão ansiosos para a abertura da caixa e entrega dos bilhetes, coisa que faremos na sexta-feira, dia 02 de abril.
Adorei o seu post...amo mitologia, desde criança.
Um gde abraço.

Betty Mello disse...

Olá ! Vim retribuir sua visitinha lá no canto-do conto e seu comentário, obrigada ! Seu blog também é um encanto !
Temos um curso on line para contadores de Histórias super diferente, visite http://tecendo-historias.blogspot.com e saiba mais !
Bjs !
Betty