segunda-feira, 4 de abril de 2011

REPORTAGEM DO MÊS: Métodos: Fônico e Construtivista.

Métodos fônico e construtivista podem caminhar juntos

por: Cassia Gisele Ribeiro
As discussões sobre as novas Diretrizes Curriculares Nacionais para o ensino fundamental já começam a levantar polêmica. Depois do acréscimo de um ano na educação básica, o ministro da Educação, Fernando Haddad, iniciou uma série de conversas com educadores de diferentes correntes sobre o método de alfabetização. A idéia é avaliar uma possível volta do sistema fônico nas escolas públicas do país.
As Diretrizes Curriculares Nacionais são aprovadas pelo Conselho Nacional de Educação e definem o que se espera que uma criança aprenda em cada série. A partir delas, o ministério da Educação (MEC) produz os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), que é distribuído para professores de todo o Brasil e orienta o trabalho com os conteúdos em sala de aula. Os PCNs em vigor foram elaborados há 10 anos e possuem claramente a influência das teorias construtivistas.
O método fônico é marcado pela ênfase em ensinar a criança a associar rapidamente letras e fonemas. Ou seja, a criança aprende rapidamente que o código que representa a letra "A" é associado ao som "A". Para isso, o método lança mão de material didático com textos produzidos para esse fim, como os das cartilhas. Já os construtivistas rejeitam a prioridade do processo fônico e, principalmente, o uso de um material único a ser aplicado para todos os alunos. Por isso, as escolas dessa linha tendem a usar textos já escritos por outros autores, que estejam próximos da realidade da criança, no processo de alfabetização.
Para Regina Ritter Lamprecht, linguista e docente da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), o atual debate está sendo feito de maneira equivocada porque coloca as duas correntes em posições opostas. Segundo ela, a idealizadora do construtivismo Emília Ferreiro não propõe um método de ensino, mas traz conhecimento sobre o desenvolvimento cognitivo da criança, que acarreta um olhar diferenciado do educador. "Por isso é importante que o conhecimento trazido pela teoria não seja esquecido", afirma.
"O trabalho nas escolas que adotam uma perspectiva construtivista pode continuar a ser feito dentro dessa perspectiva, mas proponho que seja acrescido do trabalho com os sons para explorar o papel facilitador da consciência fonológica da criança", diz.
Maria Regina Maluf, professora da área de Desenvolvimento e Aprendizagem da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), concorda. E completa: "É importante evitar etiquetas simplistas que se perdem no nome e não conseguem definir o que, de fato, é possível ser feito", afirma. "O objetivo das novas discussões não é ignorar todos os avanços que a educação sofreu nos últimos anos e voltar ao passado, mas fazer um balanço de tudo o que já foi feito, investir nos acertos e eliminar erros que ainda estão sendo cometidos.", diz.
Para a educadora, a eliminação do método fônico é problemática porque coloca a alfabetização como consequência de uma busca pelo saber, mas não a prioriza. "A idéia é voltar a priorizar o aprendizado da leitura de palavras, mas sem o uso das antigas cartilhas com textos descontextualizados. O trabalho fonético deve ser realizado com material didático adequado, em conjunto com textos literários, cartas e receitas médicas, por exemplo", recomenda.
Maluf destaca também a importância de haver um material de apoio confiável para que a educação das crianças tenha uma base mais sólida. "Sem um livro didático, a criança fica muito dependente daquilo que é fornecido pelo educador, que nem sempre é um material de qualidade", alerta.
Já para Lamprecht, o fato de se trabalhar com diversos textos desde o início da alfabetização é positivo, pois estão próximos da realidade de cada criança. "No entanto, o educador deve ensinar as relações entre grafema e fonema, pois ao compreender que um determinado sinalzinho no papel representa um determinado som da fala, fica facilitada, em muito, a compreensão da criança quanto à escrita", completa.

Indicação da Professora Lucinéia Percigili.


5 comentários:

Ana Paula Ruggini Zarpelon disse...

Em todos os métodos há prós e contras. Por isso nunco uso somente um, procuro mesclar o que há de mais interessante. Uma autora que faz isso e muito bem é a Sandra Bozza, já indiquei um livro dela em meu blog. Para alfabetização o trabalho de Bozza é ideal e eficaz!!

Abraços!

Pati Alves disse...

Concordo e também adoro o trabalho desenvolvido pela Sandra Bozza, realizei um curso com ela, foi muito proveitoso. Valeu pelo comentário Ana, adoro sua participação. Bjs.

Iolanda disse...

Não sou nenhuma expert em alfabetizaçao, mas creio que o método que a secretaria de educação da minha cidade adota é eficiente, já que sempre trabalhamos a consciência fonológica partindo dos textos estudados.

Iolanda disse...

Oi Pati, as sugestões para a páscoa são mesmo lindas. Encontrei-as inicialmente num blog sobre decoração, mas publiquei no blog com o endereço de origem. Estou ansiosa para fazer o cartaz da dezena e da dúzia que vc publicou aqui. Depois te conto como ficou. Abração.

Joyce Pianchão disse...

Achei muito interessante esta reportagem. Ela é muito esclarecedora. Tem muito professor que ainda não sabe exatamente o que seja o construtivismo.Sou a favor de se aproveitar o melhor de cada método conhecido e não se apoiar em um só, pois isso já foi feito e não deu muito certo. O melhor método é aquele que o professor domina e consegue bons resultados. Porém os novos professores não estão sendo muito bem orientados quanto a isso e muitas vezes não adotam método nenhum. Acho que é essa a preocupação da SEE, quanto ao resultado alcançado nas avaliações estaduais, tomar uma direção mais eficaz para a alfabetização das crianças. Só espero que não haja um recuo muito grande, como a volta das cartilhas e textos que eram comreendidos somente dentro da escola.
Agradeço mais uma visita, é sempre bom. Abraço, Joyce.