sexta-feira, 23 de setembro de 2011

REPORTAGEM DO MÊS: aprendizagem

“Metade das crianças não aprendem o mínimo” : alguém está surpreso?
26.08 .2011
Foram divulgados hoje (26.08.2011) o resultado da prova ABC, que avaliou 6 mil estudantes da rede pública e particular das capitais de todo país (leia reportagem publicada no site do Estadão). Este resultado revelou que “metade das crianças brasileiras que concluíram o 3.º ano (antiga 2.ª série) do ensino fundamental em escolas públicas e privadas não aprendeu os conteúdos esperados para esse nível de ensino. Cerca de 44% dos alunos não têm os conhecimentos necessários em leitura; 46,6%, em escrita; e 57%, em matemática”.
Não podemos manifestar surpresa com esses dados. São décadas de sucateamento da rede pública. A preocupação em expandir o número de crianças nas escolas não significou investimento em qualidade. A classe docente está cada vez mais desvalorizada, sem estímulo, desacreditada. Professores e alunos foram usados como cobaias de várias teorias pedagógicas que só fizeram aumentar ainda mais o problema de déficit de aprendizagem. Ninguém mais sabe para onde ir, como começar e o que fazer.
Agora vemos projetos de melhoria das escolas, informatização, entrega de materiais, uniformes, apostilas, cursos, mais disciplinas, reforços, etc. E o professor? O profissional cujo trabalho é o que mais está diretamente ligado ao desenvolvimento intelectual dos seus alunos? Continuará ganhando menos que outros profissionais com apenas o ensino médio? Continuará enfrentando salas de aulas superlotadas? Continuará joguete de sindicatos e políticos? Até quando o professor vai implorar por aquilo que lhe é direito: melhor remuneração, estímulo à formação continuada fora do ambiente de trabalho (pós-graduação, por exemplo), apoio da sociedade e do governo, enfim, ser tratado como profissional e não como mártir?
Esperamos que notícias como essa possam ser o ponto de partida para uma nova postura dos governantes e da sociedade diante das políticas educacionais do nosso país.
Acesso em 16/09/2011

Avaliação mostra que metade dos alunos de 8 anos não aprende o mínimo

Prova ABC, feita por 6 mil estudantes das redes pública e privada das capitais, revela que 44% leem mal, 46% escrevem errado e 57% têm sérias dificuldades em matemática. 'Estamos produzindo crianças escolarizadas que são analfabetas', diz especialista

26 de agosto de 2011 | 0h 00
Mariana Mandelli - O Estado de S.Paulo

Metade das crianças brasileiras que concluíram o 3.º ano (antiga 2.ª série) do ensino fundamental em escolas públicas e privadas não aprendeu os conteúdos esperados para esse nível de ensino. Cerca de 44% dos alunos não têm os conhecimentos necessários em leitura; 46,6%, em escrita; e 57%, em matemática.
Isso significa que, aos 8 anos, elas não entendem para que serve a pontuação ou o humor expresso em um texto; não sabem ler horas e minutos em um relógio digital ou calcular operações envolvendo intervalos de tempo; não identificam um polígono nem reconhecem centímetros como medida de comprimento.
"Esse panorama mostra que a exclusão na educação, que deveria servir como um mecanismo compensatório das diferenças socioeconômicas, começa desde cedo", afirma Priscila Cruz, diretora executiva do Todos Pela Educação. "A grande desigualdade que tende a se agravar no ensino médio já se faz presente nos primeiros anos do fundamental. Isso é visível nas diferenças entre as regiões do País."
Os resultados descritos são da Prova ABC (Avaliação Brasileira do Final do Ciclo de Alfabetização) e foram divulgados ontem. O exame, conforme o Estado adiantou em dezembro, é uma nova avaliação nacional, organizada pelo Todos Pela Educação, Instituto Paulo Montenegro/Ibope, Fundação Cesgranrio e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). É a primeira vez que são divulgados dados do nível de alfabetização das crianças ao final do ciclo.
A prova foi aplicada no começo deste ano para 6 mil alunos de 250 escolas, apenas das capitais. Somente uma turma por unidade foi sorteada para participar e cada aluno resolveu 20 questões de múltipla escolha de leitura ou de matemática. Todos fizeram a redação, que teve como proposta escrever uma carta a um amigo contando sobre as férias.
Os resultados, divulgados por regiões, estão nas escalas do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) para leitura e matemática. O nível de 175 pontos foi estipulado como a pontuação que representa que o aluno aprendeu os conteúdos exigidos para a série.
Disparidades. Os dados da Prova ABC mostram a distância entre o sistema público e o privado e, também, as diferenças bruscas existentes entre as regiões do País. Em algumas, menos de um terço dos estudantes aprendeu o mínimo. É o caso da Região Norte, onde apenas 21,9% dos alunos das escolas estaduais e municipais cumpriram a expectativa de aprendizado em matemática. No Nordeste, essa taxa é de 25,2% para a disciplina e de 21,3% em escrita na rede pública.
"No caso de matemática, que tem a situação mais grave, mesmo a taxa total da Região Sul, que é a melhor, é baixa: 55% dos alunos aprenderam os conteúdos previstos", exemplifica Ruben Klein, consultor da Cesgranrio.
Ele destaca que mesmo entre as escolas particulares a diferença regional se impõe. Enquanto a rede privada nordestina teve média de 67,7 na prova de escrita -numa escala de 0 a 100, em que o ideal é 75 -, a rede particular do Sudeste alcançou 96,7 e a do Sul, 87,5. A nota do Nordeste indica que os alunos apresentam deficiências na adequação ao tema e ao gênero do texto, na coesão e na coerência e possuem ainda falhas na pontuação e na grafia.
Para João Horta, especialista em avaliações do Inep, os dados podem servir para a formulação de políticas públicas. "A partir do momento que identificamos as dificuldades enfrentadas, podemos gerar metas para tentar reverter essa situação preocupante", afirma ele, que acredita que a educação integral pode ajudar a solucionar o quadro. "Aumentar o número de horas dentro da escola pode minimizar as diferenças, colocando equipes para ajudar os professores nesses momentos adicionais."
Acesso em 16/09/2011

2 comentários:

Iolanda disse...

Sou apaixonada pela educação e pela profissão e é por essas razão que noticías assim me abalam profundamente. Conhecemos a verdade, mas vê-la escancarada nos meios de comunicação sempre representa um choque. Quando comparamos o volume astronômico de dinheiro gasto para sustentar a corja de políticos desse nosso país com o insignificante valor despendido com a educação, o desespero cresce. Somos forçados a concluir que não interessa à classe de dirigentes que o brasileiro tenha educação, porque a partir do momento em que ele se apoderar do saber, não se contentará com migalhas e reivindicará o que é seu por direito.

Joyce Pianchão disse...

Pati, agradeço a visita e fico feliz em ver que você acompanha o progresso da minha turminha. Muita coisa precisa mudar na educação. Infelizmente as mudanças são lentas. Mas cabe à nós educadores fazer o que possível para que as crianças de hoje tenham uma melhor visâo de mundo para que no futuro lutem por uma educação melhor. Abraço, joyce.