sexta-feira, 7 de outubro de 2011

REPORTAGEM DO MÊS: estresse

Olá leitores(as) queridos(as), segue um artigo bem interessante sobre  estresse em professores, é legal nos informarmos para podermos nos cuidar melhor.
Abraço e lembre-se de escrever seu comentário.

Gerenciamento de estresse em professores
As causas são nossas velhas conhecidas, o interessante é saber identificá-las para lidar com o estresse e ganhar qualidade de vida
Por Marcello Árias Dias Danucalov*

A sociedade contemporânea tem sido classificada como a sociedade do estresse. O incessante ritmo da globalização, as constantes alterações tecnológicas, as rotineiras mudanças e “imposições” sociais ditadas pela mídia e pela moda, assim como a progressiva requisição de qualidade nos produtos e serviços exigidos pelo nosso atual modelo social têm impelido boa parte das pessoas a um estado de perplexidade e impotência frente a tais circunstâncias da vida. Para alguns indivíduos, a aquisição de um corpo que se enquadre dentro dos modelos eleitos pela sociedade passa a ser uma obrigação; para outros, a conquista de status profissional é um pré-requisito para a felicidade. Dependendo da intensidade de nossa cobrança, tais desejos podem produzir emoções desastrosas. Ninguém está a salvo das possíveis garras do estresse, e entre suas potenciais vítimas encontramse os professores, quer sejam do ensino básico, fundamental, médio ou universitário. Todavia, antes de versar sobre esta população em especial, é prudente definir melhor o que vem a ser estresse.

Estresse na escola
O estresse é um fenômeno biológico comum e conhecido por todos nós através de nossas experiências. Em sua etimologia o verbete estresse tem como sinônimo o termo “strain” e remonta às origens das línguas indo-europeias. No grego antigo, era a raiz de “strangale” e do verbo “strangaleuin” que significa estrangular. Em latim, a raiz formou o verbo “stringere” que significa apertar. Logo, as raízes do estresse remetem à ideia do empenho de forças fundamentalmente contrárias.
A percepção do estresse é bem antiga. Para os homens primitivos, a perda de vigor e o sentimento de exaustão que sentiam após um trabalho intenso ou exposição prolongada ao frio, ao calor, perda de sangue, medo ou doença teriam alguma semelhança entre si.
Um dos primeiros passos em direção ao entendimento do estresse foi dado por Walter Cannon, fisiologista de homeostase americano que desenvolveu a noção ou de Homeostase ou homeostasia (harmonia ou estado estável) do qual depende a qualidade de vida do ser humano. Esses mecanismos são os responsáveis pela detecção e correção de variações em diversos parâmetros orgânicos. Tendo esses conceitos como base, o austríaco Hans Selye, em 1938 definiu o estresse como um estado de alteração da homeostase, onde o organismo apresenta diversos sintomas que demonstram sua capacidade em adaptar-se aos agentes físicos ou corpo puramente mentais. Sendo assim, o corpo pode ser preparado para lutar ou fugir mediante a visão de um predador real, ou mesmo mediante a imaginação deste.
Diferentes indivíduos possuem diferentes capacidades de resistir às influências adversas do meio ambiente.
Logo, o que pode ser percebido como um fator gerador de estresse para uma pessoa, para outra pode ser um fato corriqueiro. Um indivíduo estressado pode passar por três estágios: no primeiro momento a experiência parece ser muito dura - é a reação de alarme do organismo. Em seguida acostuma-se a ela - é o estado de resistência; e finalmente não pode mais suportá-la – é o estado de exaustão. É este estado de exaustão que caracteriza o estresse crônico, que produz desequilíbrios orgânicos e patologias diversas, também chamadas mais recentemente de distresse.
Entre os principais sintomas encontrados no estresse destacamse a dificuldade de concentração, inquietação, dores de cabeça e musculares, tonturas, fadiga, ansiedade, e até mesmo depressão. Outro agravante tem sido documentado na literatura científica, os problemas associados ao sono. Durante o processo do dormir ocorrem modificações fisiológicas e comportamentais importantíssimas. Há também uma interferência direta nos processos cognitivos e de aprendizagem.
Os dados fornecidos pelas pesquisas científicas são alarmantes, uma vez que durante o estresse o organismo automaticamente utiliza suas reservas de energia para se reequilibrar, ou seja, ocorre uma ação reparadora do organismo tentando restabelecer o seu equilíbrio interno. Nesta fase, dois sintomas aparecem de modo bastante frequente: a sensação de desgaste generalizado sem causa aparente e dificuldades com a memória. No nível fisiológico, muitas mudanças ocorrem, principalmente em termos do funcionamento de algumas glândulas endócrinas, como as adrenais que produzem mais corticosteroides, hormônios que sabidamente minam o sistema imunológico, aumentando assim a probabilidade da pessoa adoecer.

Estresse em professores
Qualquer pessoa que se dispuser a fazer uma pesquisa na internet ou nas bases especializadas em publicações científicas ficará surpreso com a enorme quantidade de pesquisas que apontam a presença de estresse em professores. Algumas delas afirmam que 50% dos profissionais da educação apresentam sintomas associados às diversas fases do estresse, inclusive a de exaustão. Logo, o professor tem sido apontado como uma das maiores vítimas do estresse profissional, mais conhecido como Síndrome de Burnout. Esta síndrome caracteriza-se por um estado de esgotamento físico e mental cuja causa está intimamente ligada à vida profissional e é causada por circunstâncias concernentes às atividades profissionais, ocasionando sintomas físicos, afetivos, cognitivos e comportamentais. Inicialmente esta síndrome foi observada em cuidadores da área da saúde que desempenhavam função assistencial. A necessidade de doar-se intensamente a pessoas em situação de necessidade e dependência minava a saúde daquele que zelava por ela. Com o passar do tempo, a Síndrome de Burnout foi identificada em outras profissões, entre elas a de professor.
São inúmeras as causas do estresse profissional do professor: mudanças constantes de currículo; insegurança profissional; incerteza de obter aulas a cada novo semestre; acúmulo de funções que outrora eram realizadas pelas secretarias e por gestores especializados e, sobretudo, falta de reconhecimento. A desvalorização da profissão de professor pelo corpo discente ou pela própria sociedade é um dos maiores responsáveis por este distúrbio. A sensação de impotência do professor pode chegar a extremos, quando este se depara com problemas que não dependem apenas de sua ação para serem resolvidos, principalmente aqueles relativos à degradação do sistema educacional.
Alguns professores ainda afirmam ser bastante desgastante encontrar equilíbrio suficiente para mediar a relação entre os alunos. Sob estresse, ansiedade e muitas vezes quadros de depressão, é bastante penoso chamar a atenção, interromper a aula, motivar os alunos, intermediar conflitos etc. Curiosamente, a Síndrome de Burnout atinge professores motivados, que reagem a este desequilíbrio empenhando-se ainda mais. A desproporcionalidade entre o empenho do professor e os resultados obtidos por este reforça ainda mais sua frustração.
Contudo, e apesar de toda a gama de pesquisas que apontam para a existência deste problema, a solução não pode ficar somente a cargo das instituições de ensino. O estresse é um fato que atinge a todos nós e, portanto, cabe a cada indivíduo treinar habilidades para o gerenciamento de danos, obtenção de níveis mais satisfatórios de autocontrole, de identificação de pensamentos negativos, e de utilização de apoio social para esta finalidade. Estes são os primeiros passos e algumas das alternativas para conviver e se adaptar aos novos tempos na busca pelo bem-estar e melhor qualidade de vida.
Entre os principais sintomas do estresse destacam-se dificuldade de concentração, dores de cabeça e musculares, fadiga, ansiedade e depressão. Outro agravante são os problemas associados ao sono. Durante o processo do dormir ocorrem modificações fisiológicas e comportamentais importantíssimas que interferem nos processos cognitivos e de aprendizagem.

Passos para a superação
Existem contundentes evidências de que o estilo de vida individual e a forma como respondemos às situações rotineiras são em grande parte advindos de um conjunto de crenças, valores e atitudes que se refletem em nossos hábitos cotidianos, ou seja, em nosso padrão de comportamento. Nossos modelos mentais, a forma como observamos e interpretamos o mundo à nossa volta pode ter um elevado impacto sobre a saúde em geral, determinando para a grande maioria das pessoas, o quão doentes ou saudáveis serão em médio e longo prazos. Em resumo, é em face da forma como interpretamos o mundo que surgirão os reflexos positivos ou negativos em nossa qualidade de vida não só atual, mas principalmente na velhice.
Inúmeras práticas atreladas ao campo da medicina comportamental e da psicofisiologia aplicada podem influenciar nosso comportamento diante dos problemas, afetando assim as respostas do organismo frente aos potenciais agentes estressores. O simples ato de participar de cursos ou palestras que atentem para a identificação consciente de nossos estados emocionais inadequados já pode ser um potente deflagrador de mudanças de hábitos limitantes e potencialmente geradores de estresse.

As técnicas de gerenciamento de estresse e de emoções destrutivas contemplam inúmeras etapas. A primeira etapa é a identificação do nível de estresse que o professor se encontra. A segunda etapa é a identificação dos fatores que originam o estado indesejado. Ambas podem ser feitas por meio do preenchimento de questionários comportamentais aplicados por um profissional da área que facilite o reconhecimento dos fatores geradores de estresse. A terceira etapa é a escolha de um instrumento de medicina comportamental que objetive a eliminação de hábitos limitantes e a solidificação de novos e benéficos comportamentos. Isso deve ser feito levando em consideração as características pessoais.
A compreensão dos mecanismos associados ao estresse geralmente é mais bem assimilada depois da identificação de que seu comportamento é fundamentado nas bases estruturais do seu cérebro. Entendendo que o cérebro é passível de mudança assim como um músculo pode crescer depois de determinados exercícios, fica mais fácil compreender que é possível alterar voluntariamente percepções, sentimentos e emoções e os benefícios das técnicas da medicina comportamental são obtidos com mais facilidade. Essas técnicas são destinadas ao gerenciamento pleno e consciente do estresse, e são originadas de várias escolas filosóficas e psicológicas. Praticar meditação (atualmente conhecida com manutenção da atenção plena – mindfulness), realizar sessões de biofeedback ou participar de sessões de Coaching Ontológico são tentativas de manipulações de nossos estados emocionais. Tais práticas têm sido investigadas pela ciência e são comprovadamente eficazes em uma grande parcela de indivíduos.
50% dos profissionais da educação, aproximadamente, apresentam sintomas associados às diversas fases do estresse, inclusive a de exaustão. A desvalorização da profissão tanto pelo corpo discente como pela própria sociedade é um dos maiores responsáveis por este distúrbio.

Técnicas antiestresse

O estudo dos fenômenos mentais, dentre eles os produzidos por meio das práticas de mindfulness já é parte integrante dos interesses da neurociência e pode ser apreciado em grande quantidade de pesquisas científicas. É possível exercitar-se mantendo a atenção em sons, posturas corporais, imagens, pensamentos, ideais e até mesmo sensações. As pesquisas realizadas com praticantes de atenção plena demonstram inúmeras alterações fisiológicas e psicológicas. Sendo assim, a meditação tem sido indicada como auxílio complementar no tratamento de indivíduos portadores de várias patologias, entre elas o estresse, a ansiedade, a depressão, os distúrbios do sono, entre outros.
O Coaching, apesar de relativamente recente, já apresenta uma vasta literatura científica que comprova sua ampla aplicabilidade. Coaching é um processo de autoconhecimento e desenvolvimento pessoal que possibilita um aumento de desempenho e implementação de ações que aproximem o cliente de seus objetivos.
Esta parceria baseia-se no conceito de que temos o potencial para solucionar nossos próprios problemas, cabendo ao profissional contratado (coach) utilizar técnicas comprovadamente eficazes na mobilização comportamental do cliente, possibilitando que ele tome contato com seus hábitos e pensamentos automáticos que são, muitas vezes, autossabotadores e descubra suas potencialidades para auxiliá-lo a determinar o que, onde, como e quando gostaria de realizar em sua vida. Esta técnica tem sido exaustivamente aplicada em diversos setores, tais como o empresarial, a saúde e o educacional. Na área da saúde encontram-se diversas publicações que atestam os benefícios do Coaching.
A terapia por biofeedback tem sido intensamente pesquisada há mais de quarenta anos. Biofeedback é uma palavra que deriva da união de outras três: bios (do grego “vida”), feed (do inglês “alimentar”) e back (também do inglês “retorno ou volta”). De uma forma simplificada, o biofeedback é um instrumento que usa eletrodos de superfície com o intuito de conceder à pessoa uma visualização de suas próprias alterações orgânicas (frequência cardíaca, taxa de sudorese, atividade elétrica cerebral). Paralelamente, técnicas de relaxamento e concentração são ensinadas para que a pessoa, ao realizálas, perceba que as mesmas influenciam as variáveis fisiológicas monitoradas pelo equipamento. Essa percepção serve como um reforço positivo que facilita o aprendizado do controle das manifestações orgânicas associadas ao estresse e ansiedade.
As bases de dados científicas ligadas à área da saúde contemplam inúmeras pesquisas que apresentaram resultados positivos, tais como a utilização do biofeedback para redução de estresse em pacientes portadores de hipertensão arterial, para gerenciamento e redução de dores de cabeça crônicas, para tratamento de portadores de transtorno de déficit de atenção/ hiperatividade – TDAH – crianças, adolescentes e adultos, para aumentar os processos de criatividade e performance, assim como para controlar distúrbios afetivos a ansiedade.
Qualidade de vida é um constructo muito subjetivo e de percepção individual, ou seja, ela difere de pessoa para pessoa. No entanto, o seu conceito geral, envolve: estado de saúde, longevidade, satisfação no trabalho/ estudo, perspectivas e oportunidades de um bom salário, emprego, lazer e até espiritualidade. Esta última não esta necessariamente atrelada ao âmbito da religião, e sim de identificação de talentos, valores de vida e missão, o que por fim pode conceder certo sentido a nossa vida. Por meio do envolvimento ativo com tais técnicas pode ser possível ao ser humano e ao professor em particular ressignificar as pressões do meio ambiente, concedendolhes diferentes pesos e valores, com intuito último de adquirir uma plena estabilidade emocional durante os períodos de crises da vida.
O estresse atinge a todos nós. Cabe a cada indivíduo treinar habilidades para o gerenciamento de danos, obtenção de níveis mais satisfatórios de autocontrole, de identificação de pensamentos negativos, e de utilização de apoio social para esta finalidade. Autossabotadores

Marcello Árias Dias Danucalov, psicofisiologista com experiência em Técnicas de Integração Cérebro, Mente e Corpo e Biofeedback; Especialista em Fisiologia (UNIFESP); Formação em Coaching Ontológico; Mestre em Farmacologia (UNIFESP); Doutorando em Psicobiologia (UNIFESP); Professor universitário; Acadêmico de Filosofia; Autor de diversos livros e artigos científicos; Sócio-diretor da empresa Appana Mind – Desenvolvimento Humano e Psicofisiologia Aplicada. Contato: http://www.appanamind.com.br/

Acesso em 06/10/2011.

2 comentários:

Aninha disse...

Oi amiga quero desejar uma feliz semana da criança e principalmente muita paciência e confiança em Deus no dia do Professor.

Iolanda disse...

Muito esclarecedor esse escrito: dei-me conta de que apresento 4 dos 5 sintomas da doença. Aproveito a oortunidade para lhe desejar um grande dia do professor. Que o desejo de ser o melhor possível naquilo que faz, continue acompanhando os seus passos. Um caloroso abraço.