terça-feira, 7 de agosto de 2012

HORA DE... ERA UMA VEZ... Bicho-Papão...

BICHO-PAPÃO




O Bicho-Papão
- Alguém aqui já viu o bicho-papão? (...)
 
Será que alguém já viu
se o tal bicho-papão
tem cara de bolacha
ou tem cara de pão?

Será que ele aparece
na forma de um balão,
se estica pela brecha
e aguarda no colchão?

E quando chega a noite
em plena escuridão
vai embaixo da cama
virar o comilão?

Será que seu cardápio
varia a refeição?
Terá raposa, lobo,
ou só frango e leitão?

Será que sua voz
tem rugido de leão?
ou será que ele chama
cantando uma canção?

Adultos me respondam
a última questão.
Quem será que inventou
esse bicho-papão?


O bicho-papão é o rei dos telhados. Ele vive escondido nas sombras e foi inventado pelos adultos para dar susto nas crianças que não gostam da hora de dormir. Ele só existe à noite, pois a escuridão sempre dá medo. De dia, a gente vê o céu, vê a rua, vê quem está perto e consegue até ver o que está um pouco longe. Mas, de noite a coisa muda de figura.
De dia, por exemplo, a pessoa está andando, encontra um buraco na calçada, desvia e vai embora tranquilamente. De noite, mesmo tomando cuidado, pode pisar onde não deve e ficar com a sola do pé bem suja ou cair num buraco, escorregar, ai, ai quanta dor e confusão o escuro pode causar, porque não dá para ver direito.
É por essas e outras que, quando a noite chega, tem gente que sente tanto medo que nem consegue pegar no sono. Tem gente que treme mais que gelatina em cima de lambreta. Tem gente que molha a cama só de pensar na escuridão da noite.
É que, quando a luz vai embora, a gente não tem certeza de nada. Uma simples vassoura, virada, encostada num canto, pode ser uma criatura magricela e de cabeleira arrepiada. Um sofá pode ser um boi chifrudo deitado na sala. Uma sacola esquecida em cima da mesa pode ser uma cabeça careca, sem orelhas.
A escuridão parece que tem o dom de ligar os motores da nossa imaginação.
Já pensou se o fantasma aparecesse ao meio dia em uma praia ensolarada, ninguém iria dar atenção, ninguém teria medo, por isso mesmo que coisas que nos dão susto aparece somente a noite.

E em uma noite dessas, eu vi o bicho-papão, eu não estava conseguindo dormir e ele apareceu. Vou contar para vocês como ele era.
Vamos fazer assim, eu vou falando e vocês vão desenhando, vamos ver quem é que consegue fazer o retrato do bicho-papão.
Ele tem pés que pareciam rodas de carro (puxa e ele tinha chulé); as pernas eram bem gordas pareciam patas de elefante; o seu corpo parecia feito de bexigas, sabe nos aniversários quando as bexigas ficam todas juntas então desse jeito; ele tinha 4 braços bem compridos com nove dedos em cada mão e unhas bem compridas também (acho que ele não corta as unhas); a cabeça parecia uma melancia estragada; ui, tinha cacaca saindo pelo nariz que era parecido com uma bolinha pequena; e ele tinha uma boca enorme mas não tinha dentes; seus olhos pareciam dois ovos.
Meio maluco esse bicho-papão né? Quero ver como ficou o retrato que vocês fizeram. Ah, então agora vou contar como foi meu encontro com bicho-papão.
Era uma noite fria, estava super escuro, as estrelas não estavam no céu e a lua tinha se escondido atrás das nuvens – até parecia que elas estavam com medo. Eu virava para um lado, virava para o outro lado e nada de conseguir dormir. De repente ouvi um som mais ou menos assim
– FIIIIIII, FIIIIII, FIIIIIII.
Então gritei:
 - MAMÃEEEEEEEEE!
Minha mamãe apareceu, e lhe contei tudinho: que não tinha lua, nem estrelas e que tinha um barulho esquisito. Ela me disse para não ter medo, o barulho era somente o vento e eu que dormisse de uma vez. Mas eu sabia que alguma coisa estava errada, e falei para a mamãe:
-Acho que o bicho –papão está lá em cima, no telhado. Eu não consigo dormir e ainda por cima deixei meu quarto bagunçado e, todo mundo sabe que bicho–papão gosta de quarto bagunçado.
Mamãe falou para eu não ficar com medo e dormir logo, falou também que bicho-papão não existe, que é só a minha imaginação. Adulto é engraçado né? Inventa as coisas depois fica falando que não existe. Eu pedi para a mamãe dormir comigo mas ela não quis e disse que para o papão ir embora era só cantar.
BICHO PAPÃO DE CIMA DO TELHADO DEIXA A QUIARA DORMIR SOSSEGADA, VAI-TE PAPÃO, VAI-TE EMBORA DO TELHADO, DEIXA A QUIARA DORMIR SOSSEGADA.
Então eu cantei, cantei, estava quase conseguindo dormir quando escutei:
 – FIIIIIII, FIIIIII, FIIIIIII
 Aí cantei de novo, e de novo, e de novo, e bem alto, mas não estava funcionando, quanto mais eu cantava mais alto e mais pertinho estava o som.
De repente ouvi BUM, alguma coisa tinha entrado no meu quarto eu estava escondida embaixo das cobertas, mas tomei coragem e fui espiando devagarzinho e fui vendo assim como está no desenho de vocês : -Me ajudem pé de ... pernas de... corpo de ... cabeça de... Quando vi o bicho por completo ele abriu sua boca e....
-BUUUUUUUUUUU.
Eu tomei mais coragem ainda, resolvi ver o que o bicho queria, levantei e disse:
-BUUU, então foi isso que você veio fazer aqui?
 O bicho ficou um pouco assustado e começou a conversar comigo. Ele me contou que o nome dele era Bicho-papão Papusso e ele mora na Papolandia, lá eles gostam de tudo que é sujo, por isso que bicho-papão só aparece em quarto bagunçado. Na Papolandia moram vários Bichos-papões, cada um de um jeito diferente, durante o dia eles dormem lá na Papolandia e a noite eles ficam em cima dos telhados esperando as crianças dormirem para pegar meias sujas, que é o alimento preferido dos bichos-papões e aí eu entendi por que é que as vezes um pé de meia desaparece eles também pegam muitas sujeiras com os seus quatro braços e levam tudo para a Papolandia. Eles assustam as crianças para que elas durmam logo e eles possam pegar mais sujeiras. Como o Bicho-papão Papusso não conseguiu me assustar e estava muito frio para ele ficar esperando lá no telhado ele decidiu me falar toda a verdade sobre os Bichos-papões e é por isso que eu sei dessa história.
Então o Papusso pegou algumas sujeiras lá do meu quarto e foi-se embora. Depois disso, eu dormi mas nunca mais deixei meu quarto bagunçado pois dessa vez eu tive a sorte de encontrar o Bicho-papão Papusso que é bonzinho e não aprendeu a assustar mas vai que da próximo aparece um Bicho-papão malvado e assustador de verdade.
Fim
 Poesia: CLEMENTE, Rosa. O Bicho Papão.
Acesso em 25/08/2011.

Texto Inicial: adaptação de: AZEVEDO, Ricardo. Armazém do Folclore. (O Bicho Papão - p.89-93).
São Paulo: Ática, 2005.

Conto: Patricia Alves dos Santos. (27/08/2011)
 


Contação de história na Escola Municipal CEI Doutel de Andrade em 06/08/2012.
Contadora: Professora Patricia Alves.

7 comentários:

Virginia Melo disse...

Oi Pati, Hoje o meu filho trouxe uma atividade de pesquisa sobre o Folclore, e logo lembrei do seu blog.Foi ótimo,pois aqui ele encontrou tudo para a pequisa leu todo o conteúdo e adorou saber mais sobre a Lenda do Bicho -Papão.

Parabéns pelo excelente trabalho!!

Pati Alves disse...

Que bom Virginia Melo. Fiquei muito feliz em saber que o blog ajudou. Muito obrigada pela referencia. Bj.

Maura C disse...

Ola!! Estive a ouvi-la a contar a história do bicho-papão e gostei muito, acho que deve continuar porque tem imenso jeito!!! Parabéns! Beijinho

Pati Alves disse...

Oi Maura, muito obrigada pelo incentivo. Adoro seu blog. Bjs.

Winx magical br disse...

Oi Pati, me desculpe o incômodo, mas poderia fazer um texto menor ?? Pfv

Unknown disse...

Ameiiii vou contar pra meus bebes eles não dormem na hora certa então vai me ajudar muitoooo

Pati Alves disse...

Espero que eles gostem! Obrigada pelo comentário.